Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Memórias de Manchester

 

Foi há oito anos. O último lance do jogo. Livre à entrada da área. Os milhares de adeptos portistas colocado num canto do estádio não desistem de cantar, mesmo que pareça impossível. Benni parte para a bola, Tim Howard não segura e Costinha empurra para o fundo da baliza. O inacreditável acontecia e o Porto conquistava ali a Liga dos Campeões.

 

Tudo o resto é história: uma equipa de sonho, o senhor do sobretudo aos saltos naquele relvado de glórias e uma crónica para reescrever.

 

Há oito anos estava em Old Trafford, em trabalho, mas não foi tarefa difícil apagar os três primeiros parágrafos de um texto que dizia que o Porto tinha sido eliminado pelo Manchester United. As linhas foram outras. Assim como aqueles que já tinha escrito em Sevilha ou que viria a escrever em Gelsenkirchen e Yokohama.

 

Há oito anos visitei o outro estádio, que pouco dizia ao mundo. O estádio da equipa menos gloriosa da Manchester. Uma tímida loja de adepto, umas bancadas no meio do espaço rural e muito pouca história. Curiosidade, apenas curiosidade, porque ali ainda não havia investimento árabe e as estrelas eram escassas (andavam por lá o David James, o Van Buyten, o McManaman, o Anelka e o eterno Robbie Fowler).

 

O interesse agora é outro, mas procura-se o mesmo espírto conquistador daquela equipa de Mourinho. O Porto nunca venceu em Inglaterra e o melhor que conseguiu foi mesmo empatar. Há muito pouco tempo (2009) Jesualdo conseguiu arrancar um 2-2 ao United (outra vez no último minuto e pelo improvável Mariano), mas era uma primeira mão e Cristiano Ronaldo viria a marcar o golo da época no Dragão.

 

A vitória é o único caminho. E agora já nem se trata de retórica ou auto-convencidmento. Os detentores da Liga Europa defrontam um clube que muito gasta, mas nada vence. Uma equipa de super-estrelas com pelo menos um pé de barro, que pode muito bem ser explorado. A construção de uma nova memória em Manchester pede um Porto à Porto, daqueles que sai lá do fundo e que se supera. Daqueles que transforma as suas maiores qualidades em actos insuperáveis.

 

Aos que marcaram a viagem com muita antecedência, ainda antes de saberem o resultado da primeira mão, fica o momento exultante gravado por um adepto em Old Trafford, naquela noite de 9 de Março de 2004.

 



publicado por Filipe Caetano às 22:33
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1 comentário:
De Fernando Moreira de Sá a 21 de Fevereiro de 2012 às 23:30
Chorei como um menino, nesse dia!


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